Ficar na fila do banco me dá boas reflexões, claro que nunca vou lá por vontade própria. E geralmente é uma fila enorme, sem contar os senhorzinhos que passam na nossa frente. Mas esses dias eu estava numa e fiquei entre dois homens que falavam de casamento. Um afirmava estar apaixonado e casado, segundo ele: “Ficar sozinho é muito ruim.” E o outro afirmava: “Saí fora, lugar de preso é na cadeia.” Um achava que a mulher era tudo pra ele e o outro achava que a mulher tirava a liberdade. Um achou que foi amor a primeira vista e por isso se casou logo, já o outro achava que ele só se casou tão depressa porque a mulher estava grávida. Um era antigo e o outro moderno. E a fila não andava. Sinceramente, não agüentava mais aquele papo de romântico vs. boyzinho. Enquanto os dois tiravam suas conclusões à fila enfim andou, o romântico pagou o que tinha que pagar e saiu apressado, talvez a mulher o esperasse em casa e o outro virou pra mim querendo filosofar mais sobre como casar é péssimo, mas era a vez dele ir ao caixa, então desistiu. E eu pensei: Eu poderia concordar com ele, mas ainda fico com o quão bom é ter uma família, a casa com cerquinhas brancas, o cachorro, família e bláblá. Ter alguém. Talvez ele tivesse alguém ali naquele momento, na verdade, ele tinha uma fila toda. Porém, se eu fosse ele tentava casar logo, antes que ele pegasse o gosto em esquecer a solidão em filas de banco.
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