segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sou um "blues" todo.


Ela nem precisava que outros desistissem dela, pois fazia isso sozinha. E a verdade nua e crua é que sempre iria se sentir um pouco inútil, mas ela nem podia fazer nada, já que não há nenhum botão para desligar. Porém ela não queria ir embora daqui, não queria acabar com seu oxigênio, não queria dormir eternamente, pois ela não era hipócrita, não, não era. Talvez até seja por isso que sempre que pensamentos maléficos invadiam seus dias, ela mesma puxava sua orelha e dizia: "Você vai ficar aqui, vai ficar aqui..." 
E mesmo que isso não fosse como uma ordem, ela sempre ficaria aqui. Então os dias passavam, os meses... Contudo, ela tinha uma mania maldita de achar que o mês de Junho e Julho e Outubro e outros mais não era bons pra ela, mas que merda de menina. E ela mesma sabia que seu grande problema era ser um problema e mesmo que ela tomasse centenas de caixas de Prozac, sempre se sentiria assim em algum momento. Até achava que era pequena demais, fraca demais para sair peitando todo mundo. Entretanto, poderia valer mais um tombo do que ser assim, porque ela sabia, sempre sabia que ninguém a entenderia, sabia que tudo isso parecia um dramalhão mexicano,sabia, mas nunca se importou de abaixar sua cabeça e ouvir o que já sabia, porque logo depois ela apenas levantaria a cabeça, iria sorrir e olharia tão fundo que seria capaz de você se perder, pois seus olhos eram tão negros e profundos como um abismo... Como o abismo que ela era. Imenso, imenso abismo. E no fim, ela mendigaria proteção, porque ela precisava de proteção... "Vai, se proteja de você mesma!" era o que ela ouvia dela mesma. E se eu pudesse lhe dizer algumas coisas, eu falaria: "Poxa! Poxa! Que merda de menina! Que merda, que merda..."
Só pra ela correr dela mesma, só pra esperar alguma reação, só pra esperar que me mandasse ir pra esquina, mas não, que coisa, ela iria é colocar a culpa no ano, nos meses, em outras pessoas, em objetos, em novelas, nela mesma e choraria sem saber exatamente por quem.
Porém, ela nem chegava a ser tão ruim assim, até se achava simpática às vezes, mas isso só quando alguém bem maior que ela a protegia e então seus olhos ficavam novamente profundos e negros, já que no fim, ela nunca deixava de ser aquele abismo todo. Mas ela até conseguia sorrir, uma vez que em algum lugar - mesmo que longe - existia alguém que gostava de mergulhar naquele abismo todo. Mergulhar de olhos abertos, sem tampar o nariz, sem proteções, sem nada, só para mostrar a ela que aquele abismo todo, minha querida, do chão não passava.
É; ela era assim.
É; ela se sentia assim.


- E se eu pudesse fazer algo por ela, qualquer coisa, eu a abraçaria, mas eu nem consigo abraçar a mim mesma. -

O QUE O UNIVERSO APRENDE DEPOIS DISTO?

Tantas perguntas rodeavam minha cabeça que não conseguia nem sequer acionar meu eu-lirico revoltado, não foi exatamente preguiça, não foi falta de tempo (apesar de ser a desculpa mais usada), não foi nada disso, mas é que eu tenho tantas perguntas. E eu tenho uma mania maluca de ficar esperando achar todas as respostas, nem o Google é capaz, e bom, eu estava por aí esperando espirrar por aí essa pequena partezinha de massa encefálica com centanas de perguntas. Então voltei. Mas confesso, eu queria mesmo encontrar respostas para alguns mistérios não solucionados, como: foi mesmo Lizzie Borden que matou seus pais? Michael Jackson gostava mesmo de criancinhas? O que aconteceu realmente com Amelia Earhart? E, de todas as pessoas que foram condenadas à morte e executadas, quais eram realmente culpadas e quais eram inocentes? Afinal, o que era pior, ser enforcado, morto com gás ou eletrocutado? E entre uma pergunta e outra eu masquei a voltinha (da ?) e deixei o ponto pra esse texto aqui.

BIOLOGICAMENTE.

Estou aqui tentando resumir num texto o que significa família, porque toda família tem suas risadas e brigas. Toda família é única e tem aqueles códigos e fofocas. E eu como boa parte dos filhos do mundo que preferem acreditar que vieram de macacos a acreditar que o Adão era tarado por maças, mas gostava do corpinho de Eva e que mais da metade da população do mundo que serão futuros pais não sabem ou não suportam muito bem o amor, o que faz você concluir que são filhos de pais separados. Alguns separados por uma mulher com corpinho da novela das nove, ou por um bombadinho qualquer, ou pela rotina e afins. No fim, coitado, é tudo culpa do amor que acabou, mas como as situações são quase sempre muito cretinas, somos orgulhosos o bastante pra não deixar de acreditar no amor familiar. (Uau!) Isso porque passei um final de semana inteiro na casa da minha avó paterna o que me garantiu boas reflexões ao som de Norah Jones. Era engraçado o fato da minha avó fofocar garantindo estar apenas passando informações, o meu avô perguntando se já não aprendi aquela música favorita dele do Sergio Reis, minha tina falando de suas experiências com et's, meu primo vendo mulheres peladas e jogando joguinhos de morte, armas e futebol e eu aqui, achando eles meus genes mais tortos. Mas sabe, eu amo eles assim, tortos... E parte daquela parte mais torta de mim.

ET COETERA.

São pessoas que não sabem de nada, às vezes penso que toda aquela bendita liberdade de expressão, pensamentos e afins não fez muito bem as pessoas. É fácil notar, estão aí, aquelas pessoas que não sabem de nada, aquelas pessoas que defendem suas opiniões com unhas e dentes, mas que no fim simplesmente não dá em nada. Digo, nada que vá mudar o mundo, nada que faça de você alguém a ser lembrado, nada que te faça rico, nada que te faça feliz, nada que tire suas dúvidas, ou seja, um nada total. Desde que ouvi alguém falando aí sobre "ser dono da verdade", descobri vários, não que eu seja besta o bastante pra dizer que às vezes não me faço de uma dona da verdade, talvez esteja dando de uma agora, mas dane-se. Só que essas pessoas são aquelas dona da verdade totais e acham que descobriram o mundo, elas acham que Deus não existe, afinal, pra que Deus e bláblá se elas sabem tudo? E quem vai querer um poder maior querendo falar que na verdade elas não sabem é nada? Eis a contradição, são essas aquelas que mais tem dúvidas e aquelas mais tensas, já que elas precisam ficar muito tempo de suas vidas pensando o que mais nada elas sabem. E o tempo passa, elas erram e não aprendem nada e continuam, mas tudo bem, quem for ler isso aqui também não vai entender nada, já que dessa vez simplesmente escrevi pelo nada.

Sim, dá para empacotar e jogar no mar. (Mas eu me amo, sério.)

Pra mim aquele foi o pior tema, como assim dizer porque sua vida é emocionante e cheia de adrenalina? E além do mais, odiei aquela frustração toda que tomou conta de mim. Emocionante? Eu não chego nem a ser interessante. Não, nunca fiquei com trocentos em alguma baladinha (Muito menos gay), também nunca fiquei bêbada, também nunca fumei, nem quase usei drogas, entende? E tem mais, as pessoas que se apaixonam por mim são de muito longe e quando digo muito, é muito mesmo (Muito longe pra notar que sou muito desinteressante.) Ninguém foi louco por mim, ninguém ficava sonhando comigo, ninguém pensava em me dar mundos e quem dirá fundos. (Tenso) E eu nem sei sair pegando geral, nem sei fazer tudo errado, mas divertido, eu nem sei trair, eu nem sei. Não sei cantar também. Pra completar eu sou chata, nerd, literária e afins. Não serei uma diva, talvez uma escritora, mas mesmo assim meus fãs se limitariam aos que gostam de ler (Poucos da população mundial.) E você vem pedindo pra dizer porque minha vida é emocionante e cheia de adrenalina? Seria mais fácil falar porque sou tão insegura, agora me diz, como dá pra ser segura com essa lista de politicamente correto que no fim acaba não atraindo merdinha nenhuma? Quem é que quer alguém assim? Tipo, alguém que quer ter uma biblioteca particular e que gosta de jazz e vinho? Sabe, cansei agora de me detonar e da próxima vez que for me chamar de insegura ou coisa do tipo, porque você não chega e me diz o que posso fazer com isso (Eu)? Porque eu mesma não sei.(Ah, também não tenho olhos claros e cabelo liso.)

Quase.

Tudo que seus avós, pais e afins falam provavelmente irá acontecer. (Digo, quase tudo.) Mas, além deles terem aquela bendita experiência, o que eles falam parecem ecoar pelo universo como uma profecia. (Sim, dá medo.) E quando mais você teima, mais está atraindo. (Nem precisei ler "O SEGREDO" pra saber disso.) Falando no que disse ali, eu não entendo porque tanta gente compra uns livros pra ler tudo que já sabia e se não sabe, poxa, só olhar para sua vida, só refletir. Comprar livros com 10 passos pra ser feliz, por exemplo, precisa disso? Não conformo. Você não precisa de fórmulas (Que cacete), aquela bendita mania de querer tudo pronto. Nossa, super fugi do assunto, mas que seja, eu não tenho assunto fixo mesmo. (Por favor, continue lendo, aguente firme.) Porque sinceramente, eu cansei mesmo daquelas redações cheias de regrinhas e temas que a professora dá. E o temas? E olha que amo escrever, mas ela consegue QUASE (Porque ela pensa que consegue?) fazer com que seja penoso pra mim. Eu disse quase, ok? Ela é irritante também, na verdade, eu gosto dela, quando não está tentando falar que somos ruins, enquanto lê a Veja. (Porque sinceramente eu só digiro a Veja no banheiro, acho que por isso as revistas da Veja aqui em casa ficam lá.

Abrace-me.

um friozinho pra chamar minha atenção, só um friozinho que esperava loucamente a companhia de um bom vinho (como naqueles filmes americanos e como se eu bebesse horrores né) e Melody Gardot ao fundo. E é o friozinho que me irritou tanto agora faz parte de mim, só de mim, eu pedi tanto pra que ele viesse. Acho que gosto do frio porque posso ficar agarrando as pessoas (er, não no sentido sugestivo da coisa) mas é a época em que mais ganhamos abraços, mais sentimos o calor humano ou não, mas deixa eu ser feliz. É a época que posso abraçar todo mundo pelo simples fato de sentir frio. Porque no verão, eu sinto tanto frio, mas eu não tenho uma boa desculpa, então que o friozinho se una ao meu natural. E eu fico tão pensativa, tão eu, o dia fica tão eu, um céu azul e do nada tão nublado. Me deixo misturar com o tempo, com a previsão e fico esperando a hora do jornal em que falam do tempo só pra ver se aquelas mocinhas de chapinhas e roupinhas apertadinha irão acertar como estarei amanhã.

Não estou ficando velha. (E?)

Sério, eu queria muito ter vivido nos anos 40,50,60,70, 80 e mais algum enta por aí. Todo mundo falava tão certinho dava pra sentir a crase só na fala, isso não é lindo? E as pessoas falavam olhando nos olhos e escreviam cartas, não é lindo? É! E todo mundo era tão elegante (ou não). E naquela época quase sempre sua opinião não valia de nada (hoje só acham que valem) e era por isso que era bacana, claro, se você não tivesse nada pra fazer, você escrevia um livro sobre uma injustiça, ficava famosa e era feliz. (Ou não também.) E naquela época tínhamos mais chances de ser um herói revolucionário e depois até teria um filminho sobre sua vida e quando as pessoas fossem assistir anos mais tarde ficariam todas emocionadas com o sentimento de amor a pátria e depois esqueceriam falando que o país não presta (Ou é o povinho que está nele?) Porque naquela época parecia ter tantas novidades, tudo era inovador. Quer dizer, não exatamente, todo mundo era funcionário público, escritor, político ou fazendeiro. E super detalhe se queria ser digno você morria era de tuberculose. Ou na rua tentando defender algum direito seu. E é isso aí. Não adianta, não adianta mesmo toda época possui aquele eterno clichê, sabe? Aquele que eu amo. (Ironia, ok?)

Atrasada.

Cansei dos meus desempenhos dramáticos magníficos e resolvi mudar, porque quase ninguém lia meu blog antigo, além de ser de um site desconhecido, da pré história, mas sempre falavam logo que dizia o nome " Credo, constipação da alma?" a minha intenção era até que boa, mas de boas intenções o mundo está lotado né? Só achei que era um título bom já que escrevo tudo que hipoteticamente falando fica preso na minha alma, mas agora também quero inovar, já que dizem que o ano começa depois do Carnaval não estou atrasada e sempre é tempo de inovar.
Bom, eu não tenho temas específicos e... Sinceramente estou achando isso de apresentar um blog um saco, afinal todo mundo sabe o que é e pra que serve um blog, mas não sabe o que vai encontrar nele, então... E tem outra não gosto de pessoas que não se apresentam, daquelas que "chegam chegando". E tem mais, escrevo mesmo, ok? Repare que sempre tem mais quando começo. Todo mundo escreve com intenções (obviamente), mas quase sempre raramente (sentido algum) quem eu quero que leia lê ou entende a intenção, então dane-se também. Nossa, me sinto até mais solta agora. Quer saber? Eu cansei de escrever milhões (exagerada, acostume-se) de constipações pra duas pessoas lerem, nem minha mãe lê, aí vem àquelas pessoa intimas dizendo que sou fechada, olha que até que me abro muito só que em palavras, não tem culpa se um tanto de gente tem preguiça de ler. Eu quero é ser mais acessada mesmo e acho que aqui serei. Viu?
E eu aqui escrevendo como se novas pessoas fossem acessar, aquilo de mudar de casa, cidade e escola achando que tudo será diferente. Bléh! E isso aí, no mais, divirtam-se (ou não) e comentem, pelo amor de Deus, sei sim que comenta coisas piores então... Porque no fim acho que prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas frágeis e sem sentido a uma vida gasta evitando o que sempre quero escrever/falar. Jóia

TURNER JOPLIN!

Não, parece pegadinha e por isso ligo meu som no último ao som das mulheres mais "foda-se" do mundo, coloca aí vai Tina Turner e cia. Eu não quero ouvir som algum além da voz gritante, marcante dela, enquanto Tina Turner berra "What's love but a second hand emotion?" e danço, danço horrores no meio do meu quarto, como se fosse a própria. Tento a imitar, mas ela tem é borogodó... E aí eu me jogo, isso mesmo, me jogo na cama e penso "Poxa, que triste pensar e dançar assim."  E eu nem tenho um Ike da vida que me bate e me faz pensar assim, mas aí eu danço, eu danço horrores mesmo e divido com ela essa tensão do amor, do não amor, da busca do amor? Porque ela sempre pergunta e eu nem quero apanhar uma vida inteira pra descobrir nada sobre o amor. Aí sinto dó de Tina e paro de dançar. Mas ela continua lá, dançando e berrando. E eu queria dizer a ela que também me assusta pensar desse jeito, pensar na minha proteção, mas ela continua lá, sempre lá... Perguntando o que o bendito amor tem com tudo isso? E ao invés de responder, me junto a ela, berrando para o mundo "O que o amor tem a ver com tudo isso?" mas, ninguém responde. Sempre se juntam a nós duas e eu não gosto dessa incógnita amor, porque eu fico com medo de chegar na idade dela e não saber, não saber o que o amor tem a ver com isso. Mas, aí a música acaba e eu esqueço, sempre esqueço (até que alguém ou Tina me lembre) e eu mudo de música, agora é Janis Joplin e eu paro enquanto ela canta "Love in this world is so hard to find..." e aí eu me jogo, eu me jogo totalmente na cama. E berro: É verdade, é verdade.

Até o chão.


Quem nunca sentiu falta de ouvir uma música...? Nossa, às vezes fico totalmente impaciente, trocando de música antes que elas cheguem no refrão, não sossego e aí que achei um cd perdido, pedindo pra ser ouvido. E eu que estava impaciente me soltei achando que era mesmo a Dancing Queen (deixa que te mostro meu gingado), fiz do meu quarto uma discoteca e eu ria, ria igual criança. (E sou uma criança)
E me soltava, vai vai " Gimme, gimmeee", "Takee a chance, taaake a chance..." e eu descobri porque eu gosto deles e nem é porque desde quando me entendo por gente via minha tia cozinhando ouvindo ABBA, mas porque eles falam de amor, eles falam de dor, eles falam de mentiras, mas transformam tudo em algo tão dançante. E é isso, já parou pra pensar? Ao invés de chorar, dance e cante. Tudo bem que eu amo a versão Turner Joplin de ficar jogada na cama como se fosse uma personagem de Nelson Rodrigues, mas... Alguém então me disse que talvez (provavelmente mesmo) ninguém lia, porque é um saco mesmo ficar lendo o quanto estou triste, dane-se eu (brincadeira, não resisto) mesmo que eu queira deixar literário e afins.
E quem disse que poeta, escritor tem que ficar preso numa taverna escrevendo contos e morrer aos 30 anos sem comer ninguém? Quem? Quem? Que disse que poeta não pode amar... Quem? Eu não tenho nada de poético mesmo. Façamos um trato então, eu escrevo o bom e o ruim só quando não resistir, ok? Voltaremos ao ABBA, e eu voltei a rir e rir. Afinal porque Agnetha canta olhando certinho pra nós e Frida parece autista? Repare! Agnetha toda diva e sedução e Frida super viajando. E eu ria e ria. Voltando a ser Dancing Queen.

Particularmente.


Eu gosto de companhia. De chegar junto. Eu gosto de "Como vai a vida?" E eu gosto de muitas coisas que apenas eu gosto. É. Mas hoje não quero escrever sobre minhas complicações, mas sim, o que eu realmente prezo em alguém. Enquanto escrevia mentalmente me lembrei de quando meu professor falava sobre como fazemos e desfazemos amigos, aquela idéia quase frustrada de "amigos para sempre". Só que - querido - o pra sempre começa agora ou o pra sempre é agora. E como há coisas que apenas eu gosto e prezo... Porque eu gosto de fazer com que algumas pessoas saibam que estão na minha listinha de amigos "forever". Todos têm uma ficha aqui comigo. E eu sempre dou uma olhadinha. Não sou do tipo que espera alguém me dizer eu te amo para também dizer. Na verdade, tenho quase certeza disso. Eu sei trocar em miúdos também.

Muito mais.

Eu resolvi fazer ioga dentro de mim mesma. Eu resolvi me fechar. Eu resolvi correr quando alguém se aproxima. Eu resolvir ficar analisando intenções. Por isso ando bem ocupada pensando em tudo e assim precisei deixar alguém aqui no meu lugar para as regras de boa convivência, porém a minha outra parte provisória não é muito divertida. Deve ser por seu pouco contato com outras pessoas. A minha outra parte que não deixa de ser menos eu é 90% água e 10% cafeína. E só. O problema - é chamar tudo de problema - mas o problema mesmo é que agora preciso partir para a ação e para isso preciso pensar e pensar e só pensar. E eu que volte muito melhor do que antes, porque eu sei que essa provisória é chatinha, acredite, até pra mim. Não ando me aguentando, mas é necessário. Eu preciso de justificativas, eu preciso de teses e pontos finais ou não. Mas principalmente eu preciso mostrar que sou mais que um duende feliz, mais do que uma melancólica, mais do que esse texto diz ou que outros dizem, mais do que minhas fotos não comentadas, mais do que essa chatice toda, mais do que esse rostinho de menina, mais do que tudo que acham e sou mesmo. Eu cai num buraco e agora estou fazendo de tudo para sair, mas para sair preciso pensar e para pensar eu preciso deixar essa pura cafeína aqui. Não, não preciso de cordas, nem de mãos, talvez precise de um abraço, porém acima de tudo eu preciso, eu preciso muito de mim. Mas tudo bem, daqui uns dias paro de fazer ioga, deixo de beber muito café e volto a sorrir mais. Enquanto isso vou tropeçando em meus próprios pés, me magoando com minhas próprias palavras. E desfazendo laços com medo de dar um enorme nó.

Dia D.

Bateu uma vontade enorme de escrever algo sem me preocupar com termos, expressões e pontuações. Mas como não é muito conveniente, não farei tudo isso, não na ordem que falei. Eu queria falar de mim, contar alguma coisa, me deu uma vontade de surpreender. Eu queria contar pra todo mundo que desde pequeninha não gosto muito de domingos e quando chega a noite fico dançando sozinha no meu quarto. Na verdade, eu passo praticamente o dia todo dentro do meu quarto nos domingos, isso quando minha família não resolve sair por aí, quase sempre eu reclamo e quase sempre sou obrigada a ir. Eu acho que não gosto muito de domingo justamente por ser o meu dia, o dia em que não quero fazer nada ou só fazer o que quero. E às vezes chega a ser um tédio. Claro que há outras coisas que contribuem para isso. O meu quarto fica uma bagunça, mas uma bagunça deliciosa. Geralmente no fim do domingo há várias xícaras sujas de café na mesa do computador, geralmente meu MSN fica aberto o dia todo e também geralmente não há muita gente que gosto online o dia todo para compartilhar comigo o dia de não fazer nada. Então eu fico impaciente, vejo coisas pela metade, espero o culto acabar, não como direito e fico andando como louca dentro do meu próprio quarto. Acaba que o dia acaba (sério) e eu fico com aquele gostinho azedo na boca de saber que ainda tenho muitos dias para contaminar. Definitivamente Sr. Domingo hoje está sendo um dia muito chato, mas eu não sei se a culpa é sua ou se a culpa é minha por torná-lo assim, então eu vou deixar passar até o próximo domingo.

Eu que sei mesmo.

Oh, The Animals me deixa maluca, me deixa muito, mas muito maluca. Há coisas me deixando triste, na verdade, um misto de tristeza e decepção. Bendita ou maldita mania de ficar esperando muito dos outros. Eu sei que todo mundo espera, mas você não entende, eu espero muito mesmo. Eu aposto nelas e estou me cansando de sair no prejuízo, porém não importa, acabarei apostando novamente e sempre. E como estou maluca, eu vou rasgar o vergo, estraçalhar, revoltei! Ah, maldita mania de achar que nessas horas uns palavrões são ótimos aliviadores. Aí é a put#, digo, muito bom. É sujo, rápido, sádico. O que? Eu preciso ser a boa moça pra sempre? Eu preciso é escrever textos emocionantes, marcantes e... Olha, vou te contar, escrever é uma das poucas horas em que sou eu mesma, em que falo o que quero, como quero, me liberto dessa chatice toda, dessa linha certinha, mesmo ainda tendo um gosto ácido pelo certo. Eu que sei. Eu que sei mesmo. Não me aguento toda. Nossa, estou enrolando. Quer saber? Eu que sei. Não venha dizer que não me importo com suas alienações, pois eu direi que nem perguntar como estou é capaz. Então, saiba, eu que sei, eu que sei.

Disfunção sentimental.

Lembro-me de que quando minha mãe brigou comigo e me fez prometer nunca mais fazer algo assim novamente. E eu realmente cumpri até agora com o prometido. Porém se mamãe soubesse que nem sempre eu posso chegar pra ela e pedir para que dê um soprinho no machucado que a a vida me fez, ela entenderia. Nem sempre, mamãe. Sei que foi prometido, mas sabe, esses dias me catei colocando os dedos no fundo da minha garganta, curvando-me, apertando os olhos e sentindo tudo aquilo subir. Vomitei sentimentos, mas não os suficientes. Decepção! Sim, sim, uma puta decepção. Eu quero meus laxantes, meus diuréticos e enemas. Eu quero tudo isso fora de mim. Eu quero mesmo, mamãe. Mas é tão difícil, não posso pedir pra você assoprar bem aqui, olha, aqui no coração! Também não tenho mais lágrimas para suar. Daqui a pouco vou me sufocar de orgias de sentimentos e quando não aguentar mais, vou correr pro banheiro para soltar tudo. Você não entende. Não está bom assim, eu quero pele e osso, porque sentimentos pesam demais, não aguento me sentir inchada por aí. Mas não se preocupe mamãe, lembro-me uma vez que disse sobre meu metabolismo ser todo devagar e que iria passar. Realmente irá, mas posso lhe pedir uma coisa? Assopra aqui. 

Não, não... Sim, sim!

Não segure tão firme na minha cintura! Fica parecendo que me quer para sempre e mais perto. Não me beije como se o mundo fosse acabar! Fica parecendo que idolatra meus lábios. Não deixe seus olhos brilharem logo depois do beijo! Fica parecendo que está perdidamente apaixonada. Não, não me chama de anjo! Fica parecendo que sou muito boa. Não sussurre no meu ouvido que está feliz! Fica parecendo um sonho. Não começa a dizer o quanto eu supero todas! Fica parecendo que estou em alta no mercado. Ai, não, não me ligue durante a noite para dizer que me quer! Fica parecendo que não tenho escapatória. Não me jogue na parede com cuidado com medo de me machucar! Fica parecendo que sou delicada demais. Não diga que ganhou a manhã toda pensando em mim! Fica parecendo que sou um vício. Não, não... Sim, sim! Não diga que iria até o inferno por mim! Não! Não diga que enfrentaria até o diabo! Por favor, não! Oh, diabo difícil de vencer.

Menininha.

Minha mãe sempre me disse que meu problema era ser muito inocente e talvez seja por isso que me fala tanto sobre a vida me dar rasteiras. Uma vez me disse que tinha medo de minhas reações, tinha medo que ficasse maluca, triste ou coisa do tipo. Ela diz que acredito muito nas pessoas, confio demais, espero horrores, que ainda acho que todos irão se unir e salvar o mundo, ainda acho que meu pai irá ser mais presente e tudo mais. Mas mamãe não sabe que tudo bem, cada rasteira me faz amadurecer e que mal há em acreditar um pouquinho nas pessoas? Deixa elas me fazerem de gato e sapato, deixa! Deixa elas chegarem e irem embora. Deixa! Inocentes são elas.

"- E aí, vai uma inocência?
- Tai, sua cínica!
- Né...."