segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sou um "blues" todo.


Ela nem precisava que outros desistissem dela, pois fazia isso sozinha. E a verdade nua e crua é que sempre iria se sentir um pouco inútil, mas ela nem podia fazer nada, já que não há nenhum botão para desligar. Porém ela não queria ir embora daqui, não queria acabar com seu oxigênio, não queria dormir eternamente, pois ela não era hipócrita, não, não era. Talvez até seja por isso que sempre que pensamentos maléficos invadiam seus dias, ela mesma puxava sua orelha e dizia: "Você vai ficar aqui, vai ficar aqui..." 
E mesmo que isso não fosse como uma ordem, ela sempre ficaria aqui. Então os dias passavam, os meses... Contudo, ela tinha uma mania maldita de achar que o mês de Junho e Julho e Outubro e outros mais não era bons pra ela, mas que merda de menina. E ela mesma sabia que seu grande problema era ser um problema e mesmo que ela tomasse centenas de caixas de Prozac, sempre se sentiria assim em algum momento. Até achava que era pequena demais, fraca demais para sair peitando todo mundo. Entretanto, poderia valer mais um tombo do que ser assim, porque ela sabia, sempre sabia que ninguém a entenderia, sabia que tudo isso parecia um dramalhão mexicano,sabia, mas nunca se importou de abaixar sua cabeça e ouvir o que já sabia, porque logo depois ela apenas levantaria a cabeça, iria sorrir e olharia tão fundo que seria capaz de você se perder, pois seus olhos eram tão negros e profundos como um abismo... Como o abismo que ela era. Imenso, imenso abismo. E no fim, ela mendigaria proteção, porque ela precisava de proteção... "Vai, se proteja de você mesma!" era o que ela ouvia dela mesma. E se eu pudesse lhe dizer algumas coisas, eu falaria: "Poxa! Poxa! Que merda de menina! Que merda, que merda..."
Só pra ela correr dela mesma, só pra esperar alguma reação, só pra esperar que me mandasse ir pra esquina, mas não, que coisa, ela iria é colocar a culpa no ano, nos meses, em outras pessoas, em objetos, em novelas, nela mesma e choraria sem saber exatamente por quem.
Porém, ela nem chegava a ser tão ruim assim, até se achava simpática às vezes, mas isso só quando alguém bem maior que ela a protegia e então seus olhos ficavam novamente profundos e negros, já que no fim, ela nunca deixava de ser aquele abismo todo. Mas ela até conseguia sorrir, uma vez que em algum lugar - mesmo que longe - existia alguém que gostava de mergulhar naquele abismo todo. Mergulhar de olhos abertos, sem tampar o nariz, sem proteções, sem nada, só para mostrar a ela que aquele abismo todo, minha querida, do chão não passava.
É; ela era assim.
É; ela se sentia assim.


- E se eu pudesse fazer algo por ela, qualquer coisa, eu a abraçaria, mas eu nem consigo abraçar a mim mesma. -

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